Infarto: reconhecer os sinais pode salvar vidas
- Dr. Danilo Ferreira
- há 4 dias
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As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência de infarto e AVC, muitas delas de forma precoce. No Brasil, acontece 1 morte a cada 1,5 minuto. O infarto agudo do miocárdio também representa uma das maiores causas de mortalidade, exigindo atenção imediata aos sintomas e aos fatores de risco.
A conscientização é uma das formas mais eficazes de prevenção. Saber identificar os sinais de alerta e agir rapidamente pode reduzir sequelas e aumentar significativamente as chances de sobrevivência.
O que é o infarto?
O infarto agudo do miocárdio, popularmente conhecido como ataque cardíaco, acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do coração é interrompido de forma súbita, geralmente por um coágulo que obstrui uma artéria coronária. Sem oxigênio, as células do músculo cardíaco começam a morrer.
Na maioria dos casos, essa obstrução ocorre devido à aterosclerose (acúmulo de placas de gordura nas artérias), que pode evoluir silenciosamente durante anos. Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo, sedentarismo e estresse aumentam consideravelmente o risco cardiovascular.
O infarto é uma emergência médica. Cada minuto sem atendimento aumenta o risco de morte e de danos permanentes ao coração.
O que é angina?
A angina é uma dor ou desconforto no peito causado pela redução temporária do fluxo sanguíneo para o coração. Diferentemente do infarto, na angina não há morte das células cardíacas, mas ela funciona como um importante sinal de alerta.
Muitas pessoas descrevem a angina como uma sensação de pressão, aperto, peso ou queimação no peito, especialmente durante esforço físico, estresse emocional ou atividades intensas. Em alguns casos, a dor melhora com repouso.
A angina pode ser:
Estável: quando surge em situações previsíveis e melhora rapidamente;
Instável: quando aparece de forma mais intensa, inesperada ou em repouso, podendo indicar risco iminente de infarto.
A angina instável exige avaliação médica urgente.
Como identificar um infarto?
O sintoma mais conhecido do infarto é a dor no peito, mas os sinais podem variar entre homens, mulheres, idosos e pessoas com diabetes.

Os sintomas mais comuns incluem:
Dor intensa ou pressão no peito;
Sensação de aperto ou peso no tórax;
Dor irradiando para braço esquerdo, costas, mandíbula, pescoço ou estômago;
Falta de ar;
Suor frio;
Náuseas e vômitos;
Palidez;
Tontura ou sensação de desmaio;
Fraqueza intensa e súbita.
Em mulheres, idosos e diabéticos, os sintomas podem ser mais discretos ou atípicos, dificultando o reconhecimento rápido.
Em alguns casos, o principal sinal é apenas cansaço extremo, falta de ar ou desconforto abdominal.
Sintomas que podem ser confundidos
Uma das grandes dificuldades do diagnóstico precoce é que o infarto pode se parecer com outros problemas de saúde.
Os sintomas frequentemente confundidos incluem:
Azia ou refluxo;
Gastrite;
Dor muscular;
Crise de ansiedade ou síndrome do pânico;
Dor na coluna;
Exaustão física;
Indigestão;
Crises respiratórias.
Isso faz com que muitas pessoas demorem a procurar ajuda médica. O problema é que o tempo é decisivo no tratamento do infarto.
Mesmo que exista dúvida, toda dor no peito persistente, especialmente acompanhada de suor frio, falta de ar ou mal-estar intenso, deve ser avaliada imediatamente por um serviço de emergência.
O que fazer em caso de sintomas
Ao suspeitar de infarto:
Ligue imediatamente para o SAMU (192);
Procure um serviço de emergência sem demora;
Não tente “esperar passar”;
Evite esforço físico;
Mantenha a pessoa em repouso;
Afrouxe roupas apertadas;
Se houver perda de consciência e ausência de respiração, inicie manobras de reanimação cardiopulmonar, se souber realizá-las.
O Ministério da Saúde reforça que o atendimento rápido é fundamental para salvar vidas e reduzir sequelas cardíacas.
Conscientização salva vidas
O infarto ainda é cercado por muitos mitos. Nem sempre ele acontece de forma “dramática”, e os sintomas podem ser silenciosos ou diferentes do esperado.
Por isso, campanhas de conscientização são essenciais para ampliar o reconhecimento dos sinais de alerta e estimular a procura precoce por atendimento médico.
Em situações cardiovasculares, cada minuto importa. Conhecimento, prevenção e ação rápida continuam sendo as ferramentas mais importantes para reduzir mortes e sequelas.



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